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InfoMoney: Após resultado positivo, CSN é boa opção entre siderúrgicas
O case da CSN é baseado sobretudo em dois fatores:a projeção de aumento do preço do minério de ferro e os bons resultados reportados pela empresa, não só no quarto trimestre, mas nos últimos períodos. Os destaques do balanço referente ao quarto trimestre de 2009, ficaram por conta do forte Ebitda (geração operacional de caixa) e o bom desempenho operacional, que recomendam a compra da ação da siderúrgica, top pick do setor para os analistas da Itaú Corretora

Apesar de aparecer no foco do noticiário recentemente pela tentativa de aquisição da cimenteira portuguesa Cimpor, o case da CSN (CSNA3) é baseado sobretudo em dois fatores:a projeção de aumento do preço do minério de ferro e os bons resultados reportados pela empresa, não só no quarto trimestre, mas nos últimos períodos.

Combinados, os fatores levam a recomendação de compra da ação da siderúrgica, top pick do setor para os analistas da Itaú Corretora, e vista como a siderúrgica com melhor desempenho durante a crise pelo analista do Banco do Brasil, Antonio Emilio Bittencourt Ruiz. As margens foram o destaque do último resultado, reportado no final de fevereiro.

Resultados operacional positivo
Os destaques do último balanço reportado, referente ao quarto trimestre de 2009, ficaram por conta do forte Ebitda (geração operacional de caixa) e o bom desempenho operacional - a receita operacional líquida ficou em R$ 3,057 bilhões, aumento de 2,4% frente ao trimestre anterior.

Para o analista do Banco do Brasil, o maior direcionamento das vendas para o mercado interno foi o principal fator para a evolução. "A empresa vendeu menos, mas a participação do mercado doméstico aumentou significativamente, voltando aos percentuais históricos", afirma. Além disso, outro fator operacional importante foi que a empresa produziu mais os produtos de maior valor agregado - laminados zincados e folhas metálicas, explica.

Alexander Hacking, analista do Citigroup, destacou o Ebitda 9% acima de suas estimativas e 21% maior que os três meses anteriores, atingindo R$ 1,2 bilhão. "Os principais drivers foram o maior preço do aço e o custo dos produtos vendidos (COGS, na sigla em inglês), que mostrou variação negativa de 7%".

Outro ponto importante, destacado pelo analista do Banco do Brasil, foi a diversificação dos negócios com o aumento da participação das vendas de minério de ferro para os resultados da companhia. "A produção de cimento ainda está muito longe da capacidade instalada e deve crescer rapidamente", aponta o analista.

Por outro lado, o fluxo de caixa é apontado como um ponto negativo. A dívida líquida veio em R$ 6,2 bilhões. Sobre este aspecto, Ruiz comenta que os indicadores de endividamento continuaram aumentando, com a relação dívida líquida e Ebitda subindo de 1,51 vezes para 1,74 vezes. "Ainda não foi neste trimestre que a empresa melhorou o perfil de sua dívida", resume Ruiz.

Melhora das margens
Com relação às margens, os analistas também se mostraram surpresos com a recuperação.

"A CSN continua se benficiando de sua estrutura para gerar boas margens e manteve a competitividade necessária para já estar operando aos níveis pré-crise", cita o analista do BB.

A margem bruta veio em 34% no trimestre e 32% no acumulado do ano, o que representou um aumento de 9 pontos percentual frente ao registrado em 2008. "A empresa consguiu recuperar 12 pontos percentuais em apenas dois trimestres", enfatiza Ruiz, que considerou o indicador uma surpresa.

Com relação à margem Ebitda (relação percentual entre geraçao operacional de caixa e receita líquida), a avaliação também foi positiva. No quarto trimestre, o número veio em 39%, enquanto no ano, chegou a 33%. "A margem Ebitda de 39% é muito impressionantes dado o ambiente econômico difícil", acredita o analista do Citi.

Na comparação anual, houve queda de 4 pontos percentuais, mas a recuperação trimestral impressionou os analistas.

"Apesar do resultado ter vindo um pouco abaixo das nossas expectativas, a CSN confirmou o mérito de ter sido a siderúrgica que menos sofreu com o período da crise", resume Ruiz.

Setor: preços e recuperação da demanda são drivers principais
Essa resiliência com relação à crise ganha peso ainda maior se considerado que o setor foi um dos que mais sofreu com a crise. "O primeiro semestre de 2009 foi marcado pelo baixo nível de utilização da capacidade instalada, queda nos preços e alta nos custos de produção", explica Rodrigo Fernandes, analista do Banco Fator Corretora.

Para 2010, as expectativas são melhores, mas o analista não acredita que o setor se recupere plenamente. Os principais temas para o investidor são o já citado aumento na demanda interna e o aumento nos preços.

Na teleconferência realizada após o anúncio do resultado do quarto trimestre, a CSN anunciou que espera que os preços internos voltem a crescer em 2010, o que ainda não está claro para o analista do BB, que ainda espera a estabilidade vista no ano passado.

Minério de Ferro
Os analistas Marcos Assumpção e Alexandre Miguel, da Itaú Corretora, elevaram sua projeção para o preço do minério de ferro para aumento de 70% no preço. "A relação entre a oferta e a demanda do minério continua apertada, evidenciada pela alta dos preços à vista, que oferecem um prêmio de cerca de 100% em relação ao benchmark de 2009", afirmam.

Expectativas e recomendações
A preferência do analista do Fator pela CSN dentre as outras siderúrgicas é justificada por suas vendas estarem menos exopstas aos setores que foram beneficiados pela isenção de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado), como automobilístico e eletrodoméstico. Além disso, a importante operação no mercado de minério de ferro é um ponto positivo.

Para o analista do Citi, a recomendação de compra é baseada, sobretudo, nos bons resultados da empresa e na projeção positiva para o preço do minério de ferro em 2010 e 2011. "A administração da CSN tem uma expectativa otimista para 2010, citando os sinais consistentes de recuperação da indústria siderúrgica ao final de 2009".

O analista do BB também possui recomendação de compra para a companhia. "Destacamos a melhora do mix de produtos que gerou aumento da receita unitária por tonelada tanto no mercado interno quanto no mercado externo", afirma Ruiz. O bom desempenho na crise e os "grandes ganhos de margem" contribuem para o call de compra para o papel.

Na visão de Assumpção e Miguel, os ativos de mineração da CSN devem estar avaliados em cerca de US$ 22,4 bilhões, enquanto os investidores avaliam em apenas US$ 17,2 bilhões. Isso, juntamente com múltiplos atrativos e um melhor cenário para o aço no Brasil fazem com que os analistas escolham a empresa como nova top pick do setor, com recomendação acima da média do mercado, e preço-alvo de R$ 82, potencial de valorização de 31,6% frente ao fechamento de sexta-feira passada.