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InfoMoney: Em relatório, FMI diz que China está no caminho certo
Pela primeira vez desde 2006, o FMI publicou um relatório sobre a China. No ano passado, o governo do gigante asiático não autorizou a divulgação do documento por divergências sobre o seu conteúdo. Na avaliação do Fundo, o superávit comercial chinês deve voltar a se expandir a não ser que o governo aja para apoiar o consumo doméstico – o que inclui permitir que a divisa do país, o yuan, se valorize.

Pela primeira vez desde 2006, o FMI (Fundo Monetário Internacional) publicou um relatório sobre a China. No ano passado, o governo do gigante asiático não autorizou a divulgação do documento por divergências sobre o seu conteúdo.

Na avaliação do Fundo, o superávit comercial chinês deve voltar a se expandir a não ser que o governo aja para apoiar o consumo doméstico – o que inclui permitir que a divisa do país, o yuan, se valorize. Vale dizer que, nessa semana, o órgão já havia dito que o yuan estava significativamente desvalorizado.

“A atual subvalorização (do yuan) é contraproducente e age como um impedimento a um avanço no consumo pessoal”, escreveu o FMI, afirmando que a China ainda precisa ajustar sua divisa. “Uma moeda mais forte vai ajudar a aumentar o poder de compra das famílias e reorientar o investimento para os setores que servem ao mercado doméstico”.

A China, entretanto, não concorda com a avaliação, e afirmou que o valor do yuan está muito mais próximo do equilíbrio do que antes.

No caminho certo, mas ainda falta muito
Ainda no assunto, tanto o FMI quanto o governo chinês acreditam que o país é dependente demais de exportações – estimular o consumo doméstico seria uma maneira de resolver a questão, e ajudar a proteger a China de choques nos demais mercados globais, na visão do órgão.

Numa tentativa de combater a crise, o país asiático pôs em prática um grande pacote de estímulos, que resultou em uma disparada nas importações de matérias-primas e maquinários para atender a demanda do setor imobiliário. Isso derrubou o superávit comercial para 4,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre – bem abaixo dos 11% vistos em 2007.

Entretanto, o caminho à frente parece complexo. “Garantir que o superávit continue em queda será um exercício extremamente complicado de engenharia macroeconômica, e vai exigir ações em diversas frentes”, escreveu o FMI. A recente flexibilização do yuan foi um passo na direção certa, mas as reformas mais críticas que serão necessárias para o objetivo final ainda não foram tomadas, de acordo com o órgão.

Crescimento global arrefecendo
Os esforços chineses estão em um momento importante: com o fim dos programas de estímulos e um acomodamento da economia global, é possível que os fatores que levaram ao superávit comercial chinês estejam se esgotando, segundo o FMI.

Assim, o órgão reforçou o pedido à China de que o país adote rapidamente medidas como permitir taxas de juro mais altas e mais ligadas ao mercado, reduzir de impostos para estimular o consumo, melhorar os serviços de saúde e acelerar a urbanização, além de elevar os baixos preços da energia e das matérias-primas.

O governo chinês, contudo, discorda da avaliação do órgão. Para Pequim, o rápido crescimento, alta dos salários e as já implementadas reformas serão suficientes para que o superávit mantenha sua trajetória de queda, atingindo 4% do PIB nos próximos anos.

O FMI não espera que a inflação seja um problema na economia chinesa, que já está, na visão do órgão, com bases sólidas. A expectativa é que a inflação recue na segunda metade do ano, ficando entre 2% e 3% nos próximos anos.

China e o mundo
De acordo com o relatório, o país asiático se preocupa com o impacto dos cortes nos orçamentos feitos nos EUA, na Europa e no Japão sobre o crescimento global. A China, enquanto isso, ainda tem espaço para novos estímulos – entretanto, o FMI alertou que o país precisa lidar com os riscos ao setor bancário e a possibilidade de uma bolha no setor imobiliário.

Cabe lembrar ainda que, na última reunião do G-20, as principais economias do mundo concordaram que para fazer com que o crescimento global seja mais rápido e mais amplo, seria necessário atingir um equilíbrio nas balanças comerciais – com uma redução do superávit chinês e do déficit norte-americano, por exemplo.