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TNOnline: Com avanço de 16,35%, Ibovespa tem melhor trimestre desde fim de 2020
Nesta terça-feira, em tarde de forte recuperação em Nova York, o Ibovespa ganhou impulso para encerrar o mês e o trimestre na casa dos 187 mil pontos, com alta de 2,71%, aos 187.461,84 pontos, com giro a R$ 37,9 bilhões. No primeiro trimestre, o índice acumulou ganho de 16,35%, seu melhor desempenho desde o último trimestre de 2020. No mês, refletindo a retomada da aversão a risco em meio ao conflito no Oriente Médio, o Ibovespa recuou 0,70%, sua primeira perda desde julho do ano passado, antes de encadear sete meses de ganhos.
Em tarde de forte recuperação também em Nova York, onde os principais índices mostraram alta de até 3,83% (Nasdaq) no fechamento, o Ibovespa ganhou impulso para encerrar o mês e o trimestre na casa dos 187 mil pontos, no maior nível desde o dia 2 de março, então aos 189 mil. Em alta de 2,71% nesta terça-feira, aos 187.461,84 pontos no fechamento, o índice oscilou entre mínima da abertura, a 182.515,40 pontos, e máxima de 187.507,77 pontos, com giro a R$ 37,9 bilhões.
No primeiro trimestre, o Ibovespa acumulou ganho de 16,35%, no que foi seu melhor desempenho desde o último trimestre de 2020 - lembrando que todo o ano de 2020 foi marcado pela volatilidade da pandemia de covid-19. Considerando apenas os trimestres iniciais, foi também o melhor janeiro-março desde 1998, conforme série compilada pelo AE Dados: naquele intervalo, a variação positiva do índice ficou na casa de 57%.
Dessa forma, o desempenho deste primeiro trimestre foi mais agudo do que o de outras fortes aberturas de ano, como as de 2022, quando havia avançado 14,48% entre janeiro e março, e também o ganho dos três primeiros meses de 2016, há 10 anos, então em alta de 15,47% no mesmo intervalo.
No mês, refletindo a retomada da aversão a risco global em meio ao conflito no Oriente Médio, o Ibovespa recuou 0,70%, no que foi a sua primeira perda desde julho do ano passado, quando havia cedido 4,17% antes de o índice encadear sete meses de ganhos.
Com a moeda norte-americana em alta de 0,87% no acumulado de março, o Ibovespa em dólar fecha o mês a 36.199,32 pontos. Em dólar, no fim de fevereiro, estava em 36.771,90 pontos, com a moeda americana, então, ainda em baixa no mês. No fechamento de janeiro, o Ibovespa havia chegado a 34.561,30 pontos, refletindo também a queda de 4,40% acumulada pela moeda americana frente ao real no primeiro mês do ano. Apesar do estilingue, o Ibovespa permanece longe do topo de julho de 2008, em dólar. Naquela época, convertido para a moeda americana, quase encostou nos 45 mil pontos, com o dólar girando então em torno de R$ 2,20. Para que atinja valores similares em dólares, precisaria se aproximar dos 240 mil em termos nominais.
"Hoje, o mercado se animou com os primeiros sinais, pelo lado iraniano, de que uma negociação para a suspensão do conflito esteja de fato caminhando, desde que os Estados Unidos ofereçam garantias para a paz", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. "O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também está de olho, cada vez mais, no cenário interno e quer encontrar logo uma solução", acrescenta o analista, referindo-se às eleições de meio de mandato, no fim do ano, com renovação da Câmara e do Senado, e desfecho que pode ser desfavorável a Trump e aos republicanos, caso o preço do petróleo continue a pesar no bolso do consumidor americano.
"Em resumo, o mercado comprou hoje a ideia de que existe chance de distensão no Oriente Médio, e isso bastou para impulsionar bolsas, derrubar dólar e aliviar juros. Mas o cenário segue muito sensível: basta uma nova frustração diplomática ou avanço militar para a volatilidade voltar com força. Hoje, houve alívio, mas ainda não dá para chamar de solução", observa Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil.
"O Irã afirmou, à tarde, ter interesse no cessar-fogo desde que sejam oferecidas algumas garantias, o que acelerou o ritmo da melhora vista desde mais cedo na sessão, o que resultou em fechamento da curva de juros com efeito benéfico, também, para as empresas com exposição a juros e ao ciclo doméstico", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
Assim, das 83 ações da carteira Ibovespa, apenas quatro fecharam o dia em baixa: Prio (-8,17%) e MBRF (-3,09%), além das duas ações de Petrobras (ON -1,35%, PN -2,01%), com as ações de energia afetadas em parte pela virada do petróleo na etapa vespertina, ante a perspectiva de paz no Oriente Médio. Na ponta vencedora do índice, Natura (+12,99%), Magazine Luiza (+9,62%), B3 (+7,98%) e Cosan (+6,11%).
Entre os bancos, os ganhos da sessão chegaram a 4,52% no principal papel do segmento, Itaú PN, no fechamento. Principal papel do Ibovespa, Vale ON encerrou a sessão em alta de 3,75%.